terça-feira, 7 de junho de 2011

Exposição AMONTOANDO COR, pinturas de Francis Silva



A trajetória deste processo em pintura tem possibilitado vertentes de muitos resultados. O conjunto da obra se apresenta ora como um amontoado de pequenas manchas em tela, ora como um agrupamento de diferentes acúmulos de películas plásticas. Um corpo compacto, um plano repartido, estruturas que criam espacialidades ou que fogem para fora do plano e do suporte tradicional. Essas duas espécies têm seu referente na ideia de paisagem.
Em tela, as manchas - “células” -, se mostram numa diversidade de formas e cores e se multiplicam porque são rizomas. Neste processo, o corpo, as memórias e o pensamento se entregam ao gesto do empilhamento de células num tempo lúdico, num brincar de acumular pedaços de cor.
Pura cor, pura tinta.
A segunda vertente de trabalho decorre da construção de pequenas películas plásticas. A partir do momento em que a mancha de tinta cria independência do suporte tradicional concebem-se novas manchas, que são dadas para criar novas pinturas.
Alguns trabalhos dessa espécie são organizados como aglomerados de grupos de cores - sobreposições de manchas que formam uma única peça de superfície saliente e tátil. Outros trabalhos são fragmentados, agrupados por um conjunto de pequenas peças. Ou ainda, obras compostas de células especificamente individualizadas.
A matéria é uma essência dada ao corpo e à superfície destes trabalhos de faces orgânicas e, se esse corpo-matéria aponta para uma memória da pintura, é o translado da mancha de cor que sai da tela e está, agora, em busca de um outro espaço, de um outro resultado. São como pinceladas que se individualizam fora da tela querendo revelar, neste trabalho, um segredo da História, o espaço ilusório da pintura.

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