Em tela, as manchas - “células” -, se mostram numa diversidade de formas e cores e se multiplicam porque são rizomas. Neste processo, o corpo, as memórias e o pensamento se entregam ao gesto do empilhamento de células num tempo lúdico, num brincar de acumular pedaços de cor.
Pura cor, pura tinta.
A segunda vertente de trabalho decorre da construção de pequenas películas plásticas. A partir do momento em que a mancha de tinta cria independência do suporte tradicional concebem-se novas manchas, que são dadas para criar novas pinturas.
Alguns trabalhos dessa espécie são organizados como aglomerados de grupos de cores - sobreposições de manchas que formam uma única peça de superfície saliente e tátil. Outros trabalhos são fragmentados, agrupados por um conjunto de pequenas peças. Ou ainda, obras compostas de células especificamente individualizadas.
A matéria é uma essência dada ao corpo e à superfície destes trabalhos de faces orgânicas e, se esse corpo-matéria aponta para uma memória da pintura, é o translado da mancha de cor que sai da tela e está, agora, em busca de um outro espaço, de um outro resultado. São como pinceladas que se individualizam fora da tela querendo revelar, neste trabalho, um segredo da História, o espaço ilusório da pintura.


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